quinta-feira, 28 de abril de 2016

Conhecimentos Pedagógicos



Ao abordar o viver humano ético, pode-se observar que ele ocorre no espaço relacional, num conviver contínuo permeado por conversações. O conversar que permite ao observador ver e compreender o que ocorre, evocando o olhar reflexivo é o que Humberto Maturana e Ximena Yáñez chamam de conversar liberador. De acordo com essa abordagem, o olhar reflexivo do observador promove o conversar liberador.  
 Mario Sergio Cortella e Yves de La Taille discutem em suas obras que na sociedade atual permanece uma crise ética em relação a nossos valores de vida coletiva Não se pode identificar essa ética, que se expressa em nossas escolas de forma conflituosa, como uma  queixa em relação à conduta dos estudantes.

 Em Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire faz um alerta para a necessidade de uma postura que considere o respeito à autonomia e à dignidade de cada um como “um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceber uns aos outros”. O autor considera que a leitura verdadeira é aquela que compromete o leitor de imediato com o texto e cuja compreensão fundamental o torna também sujeito, de modo que se precisa,  manter a vigilância contra todas as práticas de desumanização.  Para  considerar a experiência formadora dos sujeitos ao longo da vida. E desenvolver nas práticas educativas a curiosidade epistemológica.

 Ao trabalhar em ambientes institucionais com gestão de pessoas, permanentemente se trabalha com a gestão de conflitos e com as dificuldades de convivência. Pode-se observar as dificuldades de comunicação e de diálogo entre as pessoas. Segundo Bohm (2005:65), o objetivo do diálogo “[...] não é analisar as coisas, ganhar discussões ou trocar opiniões. Seu propósito é suspender as opiniões e observá-las – ouvir os pontos de vista de todos, suspendê-los e a seguir perceber o que tudo isso significa.” Seguindo essa perspectiva,  os significados compartilhados garantem a coesão social  e  as pessoas suspendem os seus pressupostos e julgamentos  pois  as pessoas observam como o pensamento funciona.

 Ao abordar a didática na sala de aula ou a didática organizacional, depara-se com uma questão central, que é a avaliação. Os processos avaliativos, dependendo de sua intencionalidade, podem expressar-se em avaliações diagnósticas, avaliações de desempenho, avaliações de programas e avaliações institucionais, assim como podem utilizar abordagem quantitativa ou qualitativa e diferentes instrumentos para a coleta de informações. Em relação às várias práticas avaliativas, necessitam de um referencial teórico ou matriz conceitual.
  Suas funções são definidas a partir dos sujeitos envolvidos  e favorecem o processo de tomada de decisões após a análise dos dados.


 O projeto político pedagógico é um instrumento teórico metodológico que visa enfrentar os desafios do cotidiano da escola, ressignificando as ações e garantindo a memória do significado de todos os agentes da instituição educativa. De acordo com essa abordagem, o projeto político pedagógico não possui a  finalidade de legitimar as ações específicas em seus grupos de trabalho.  

 A elaboração do projeto político pedagógico ou do plano de desenvolvimento institucional de uma unidade educativa consiste numa estratégia para conduzir de forma articulada a ação, assim como uma estratégia de formação em serviço. De acordo com Celso Vasconcelos, nas etapas de elaboração do projeto ou plano, é necessário investir coletivamente em,  diagnóstico que identifica fatores dificultadores e facilitadores presentes na realidade institucional.
Pois é marco operativo que propõe ações para diminuir a distância entre a realidade da instituição e o ideal proposto  e  marco referencial que implica em explicitar onde se está, para onde se quer ir e qual o horizonte de ação.

 A evolução de diversos contextos organizacionais caminha para uma maior articulação profissional, de modo que trabalhar em equipe torna-se uma necessidade profissional que atende à realização do trabalho, assim como a formação permanente de seus membros. Para isso, não é necessário desenvolver capacidades associadas à   avaliação das condutas profissionais.  

  “Tudo o que é dito é dito por um observador a outro observador que pode ser ele ou ela mesma.” MATURANA, 2009:259. O autor faz um alerta, com esse trecho, afirmando que o ato de conhecer depende do nosso olhar, da forma como nos relacionamos com o objeto, com o outro ou com uma determinada situação. A partir dessa compreensão, pode-se afirmar que cotidianamente  explicamos nosso viver porque existimos num mundo de coerências estruturais independentes de nosso operar.
E  fazemos distinções como se os entes e relações existissem antes da operação de distinção com que os fazemos aparecer em nosso observar  e ao  percebemos como seres humanos que existimos operando como organismos num espaço relacional e  permanecemos desatentos para o processo relacional no qual operamos, fazendo distinções dos entes e das relações.  
  No cotidiano do campo profissional, o pedagogo enfrenta constantemente os deveres e os dilemas éticos da profissão, dentro ou fora do contexto profissional, o que implica em desenvolver uma competência que busque,   prevenir todo tipo de violência  e desenvolver o sentimento de justiça  para  evitar os preconceitos e as discriminações.  

 Numa sala de aula é necessário construir um contrato pedagógico e didático que garanta as regras de funcionamento internas à classe.  A partir do contrato, o professor pode elaborar suas sequências didáticas compostas pelas diversas situações de aprendizagem. De acordo com Perrenoud, para isso o professor precisa desenvolver a competência de organizar e dirigir situações de aprendizagem, o que, por sua vez, não implica em   impedir os erros e os obstáculos a aprendizagem  e  traduzir os conteúdos em objetivos de aprendizagem.

 A escola é organizada para favorecer a progressão das aprendizagens dos alunos em relação aos conteúdos previstos ao final de cada ciclo de estudos. O gerenciamento da sala de aula implica também em administrar a progressão das aprendizagens, possibilitando a organização de novos ciclos de aprendizagem.
Em relação às atitudes que devem ser implementadas para aprimorar o gerenciamento da sala de aula  é necessário mudar de uma gestão de fluxos extensos para uma gestão baseada em fluxos reduzidos e  modificar a organização dos estudantes de agrupamentos fixos para agrupamentos flexíveis.  E  investir na definição dos objetivos mínimos estabelecidos com a condição de individualizar os percursos.
  
 A promessa do uso transformador da tecnologia nas salas de aula interage com as crenças pessoais dos professores sobre a inovação, que, segundo Sandholtz (1997) em seu livro clássico Ensinando com a Tecnologia, configuraram-se como estágios de evolução do processo de ensino aprendizagem. Sobre os estágios identificados e suas descrições.
  
Na apropriação o professor apresenta uma mudança de atitude em relação à tecnologia.

Na inovação  o  professor experimenta novos padrões de ensino-aprendizagem.

Na exposição o  professor preocupa-se em como manter o controle sobre a sala de aula.

Na adaptação o  professor utiliza a tecnologia para o gerenciamento da sala de aula.

Na adoção o  professor usa a tecnologia para apoiar os planos de ensino já existentes.  

 Em relação aos vários trabalhados de Juana Sancho que abordam desde os recursos educativos até as novas tecnologias de informação e comunicação e às discussões que têm se acumulado nesta década acerca do uso das tecnologias de informação e comunicação nas escolas,  o  uso de melhores recursos pedagógicos nas salas de aula não garante melhores aprendizagens.   O uso de inovações tecnológicas nas escolas não determina inovações pedagógicas e nem modifica as práticas docentes.  O uso das tecnologias de informação amplia os sistemas de armazenamento e acesso à informação.  

 A mediação pedagógica parte de uma concepção radicalmente oposta aos sistemas de instrução baseados na primazia do ensino como mera transferência de informação. Não interessa uma informação em si mesma, mas uma informação mediada pedagogicamente que possibilite a participação e a criatividade. Em relação aos aspectos que devem ser considerados, de acordo com esse ponto de vista, o  conteúdo deve estar acessível, claro e bem organizado, garantindo ao educando uma visão global do tema.  Os materiais propostos devem considerar o seu interlocutor, favorecendo o processo de aprendizagem.   As relações pedagógicas devem se pautar pelo diálogo, garantindo o desenvolvimento da autonomia dos educandos.
  
 Competências necessárias para a organização e gestão da sala de aula

Perrenoud considera que a abordagem central dos programas de formação inicial e continuada de professores deveria torná-los capazes de organizar e gerenciar situações de aprendizagem. Em Formando Professores Profissionais (2001), o autor apresenta o que um professor profissional deve ser capaz de fazer e como deve ser sua formação articulada à prática.

As competências profissionais descritas por Perrenoud são compostas por um conjunto diversificado de   saberes, esquemas de ação e posturas.

 Sobre o que o profissional em educação deve ser capaz de fazer, no dia a dia do trabalho em sala de aula, analisar as situações complexas.  Escolher técnicas e instrumentos.  Analisar suas ações e resultados.  
Em relação ao que é necessário analisar para realizar um diagnóstico organizacional ao elaborar o processo de formação dos profissionais de uma determinada instituição.

O contexto e seus sujeitos.
 A dinâmica do trabalho.
O clima organizacional

A educação corporativa supera a visão de um setor de treinamento e busca desenvolver uma visão mais abrangente e estratégica.  O setor de treinamento e desenvolvimento foca o aprimoramento de habilidades mais técnicas e funcionais, já a universidade corporativa foca a aprendizagem organizacional gerando o desenvolvimento das pessoas e da cultura organizacional.

Pode-se observar que o crescimento da educação corporativa no Brasil não se deve à  necessidade de investir na formação inicial dos profissionais.
  
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior define a educação corporativa como uma prática coordenada de gestão de pessoas e de gestão do conhecimento, tendo como orientação a estratégia de longo prazo de uma organização.
Sua prática pedagógica busca articular as competências individuais e organizacionais no contexto mais amplo da instituição, de modo a garantir processos inovadores. De acordo com esse posicionamento,  a educação corporativa  viabiliza a aprendizagem organizacional.

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